Embora sejam proibidas no Twitcam, as exibições eróticas (geralmente de adolescentes) e as pornográficas (de garotas de programas) têm predominado à noite nesse serviço gratuito de transmissão ao vivo pela internet. Por outro site é possível monitorar as 'conversas' de todas as transmissões e descobrir as que prometem nudez ou as que que já estejam exibindo-a.
Pelos títulos dos posts de um blog que reproduz imagens do Twitcam dá para fazer ideia do que tem sido exposto: “Ficando peladinha”, “Gordinha levanta vestido e mostra a calcinha”, “Mostrando peitinhos”, “Morenas lésbicas”, “Três gostosas dançam funk e mostram sutiã e calcinha”, “Coroa mostra xotinha”, e por aí vai.
O Twitcam é mais uma rede social que se tornou ‘brasileira’. No mês passado, teve 4,5 milhões de visitantes únicos, um recorde, e, desse total, 81% foram de brasileiros. Em segundo lugar estão os chilenos, com 6%, seguidos pelos mexicanos (3,3%) e americanos (2%).
Nem sequer o Orkut, em seu começo, tinha um percentual tão significativo de brasileiros. O Twitcam foi lançado em julho de 2009 pela Livestream com o uso de códigos de programação do Twitter.
 |
| Cada vez mais sexo |
Quando a transmissão é feita por mulher (adolescente, na maioria dos casos), o que mais se pede no chat é “mostre os peitinhos”.
Quem se exibe dá grande importância à audiência e, muitas vezes, acaba cedendo aos pedidos quando é atingido determinado número de conexões, geralmente acima de mil. Adolescentes ficam envaidecidas com a repentina popularidade e fazem o que é solicitado: dançam a música do créu, mostra os seios etc.
A maioria delas parece não saber que qualquer um pode gravar as imagens do Twitcam com um soft gratuito disponível na internet e reproduzi-las no Youtube, em blogs e sites pornográficos. Elas não entendem que, mesmo que haja uma única pessoa vendo-as, as suas imagens podem ser difundidas por toda a internet. Algumas delas dão o número do seu celular para que os fãs entrem em contato.
É comum duas ou três jovens apareceram juntas diante da webcam. As transmissões são sempre feitas de um quarto fechado. Na semana retrasada, uma jovem avisou que ia ter de falar baixo porque seus pais tinham acabado de chegar.
No blog que publica flagrantes do Twitcam há um vídeo onde uma jovem de cerca de 15 anos de um grupo de três ou quatro garotas aparece em prantos: ela tinha recebido um telefonema de sua mãe que acabara de vê-la mostrando o sutiã. “E agora, o que vou fazer? A minha mãe vai me matar”, disse a meninas às amigas.
As garotas de programas têm usado o Twitcam para arrumar clientes. A Renata Mariah, por exemplo, conversa ao vivo, pelo telefone, com interessados. Na semana retrasada, um de seus clientes mostrou a calcinha dela para a webcam. Já a Diana Fantástica mostra tudo em aparições rápidas como uma espécie de trailer do que ocorre em suas apresentações em um site pornô pago. "Não deixem de ir lá."
Há transmissões também de gays e travesti, além de solitários, como a de um rapaz que dizia a meia dúzia de pessoas que já tinha tentado se matar por ser obeso.
A audiência é formada por pessoas que, em sua maioria, usam pseudônimos e avatares. Mas com certeza trata-se na maioria de rapazes, alguns deles menor de idade. É de se supor, também, que haja entre eles pedófilos.
Há ainda os que xingam as mulheres de "putas" e "vagabundas" "coroas safadas" e os que ofendem com observações como "você é gorda, precisa fazer regime, olha a gordura saltando".
Max Haot, executivo da Livestream, disse à Folha de S.Paulo estar preocupado com a exposição crescente de pornografia e informou que o site planeja adotar algum tipo de controle para aprovação dos registros de usuários.
Por enquanto, o que existe é um sistema precário de moderação. No caso da Renata Mariah, a sua conta foi cancelada após de uma apresentação em que ela se mostrou em detalhes. Mas a garota de programa abriu outra conta.
No caso das adolescentes exibicionistas, independente do controle que o Livestream vier a implementar, nada será melhor do que a vigilância dos pais.
Fonte: Blog do Paulo Lopes
Comentarios
RSS para comentarios a este post.