Há alguns anos, venho ouvindo queixas sobre o carnaval na Bahia, são as mais comuns “o carnaval tá muito cheio, os circuitos não comportam mais tanta gente”; “é caro passar o carnaval na Bahia”; "a violência aumentou muito”; “O carnaval tá muito comercial”.
Essas são queixas comuns, que nos revelam outras coisas que a aparência não nos deixa ver! Passei alguns poucos anos acompanhando o carnaval de Salvador pela televisão. Entretanto, saliento, que já “brinquei” MUITOS carnavais, que começaram acho que com uns 05 cinco anos de idade na avenida sete de setembro e pasmem era uma tranqüilidade! Lembro-me de famílias se divertindo e a gente meninotes brincando uns com os outros, esperando os trios que tinham um intervalo grande de um para o outro... Era outro tempo!
Este ano ao voltar para a Bahia, pude fazer uma terrível constatação: o carnaval não é para os baianos! O “olhar” que se adota sobre tal evento agora (já faz um tempo) é parte de uma agenda globalmente estruturada sobre festas “for exportation”.
Explico-lhes. A estrutura do carnaval é algo megalomaníaco, tudo tem que ser “o maior”, “o melhor”, o “mais luxuoso”... O capitalismo gira em torno do lucro, portanto, tudo tem que ter seu preço. Até mesmo as festas populares, como o carnaval, que nasceram com o povo! A movimentação financeira que acontece em torno do carnaval de Salvador é algo inimaginável pela “pipoca” [2], ou até mesmo pelos que pagam pelo “serviço”. Entretanto, os envolvidos, a depender da sua posição na hierarquia, gozam de polpudos lucros e a reles de quase...NADA!
A estrutura montada para o carnaval soteropolitano envolve profissionais de muitos Estados e países, que têm como meta oferecer aos “pagantes” (não mais cidadãos) um carnaval mais “globalizado” e menos regionalizado- mesmo que na aparência pareça o contrário
Mas você, caro leitor, poderia me perguntar: e a elite baiana não participa deste conluio? Repondo-lhe, sim, mas com uma ressalva. Esta participa com o seguinte lema “já que não posso ser melhor que eles, me junto a eles”. Aliás, tal lema não é novo em se tratando de Brasil. Este mesmo pensamento guiou a nossa elite em relação à submissão ao capital internacional. Conclui-se, portanto, que mesmo em uma festa, como o carnaval, reproduzimos a nossa subserviência e negamos fortemente a nossa cultura e pior as nossas origens Africanas, índias e de resistência latinoamareicana, tudo em nome da “globalização”, da “civilização eurocêntrica” (é ainda continuamos nessa!).
Portanto, como podemos falar da “nossa cultura baiana no carnaval”, quando na verdade, os blocos de resistência são desprestigiados; o circuito Campo Grande- Praça da Sé, EXTREMAMENTE marginalizado; e as atenções voltadas para o circuito dos hotéis e da classe mais endinheirada, o circuito Barra- Ondina.
Conclui-se, que essa é, mais uma política estilo “PANIS ET CIRCENSES” [2] dos tempos atuais. Então, lhes pergunto: como discutir cultura sem questionar transformar a estrutura?
[1] Grosso modo, o carnaval, é a festa da carne e que antecede a quaresma, “O Carnaval está relacionado com a Quaresma porque a Quaresma é uma época de jejum, penitência e preparação para a Páscoa.” (GOT questions? Org, http://www.gotquestions.org/).
[2] Pipoca- Termo que denomina folião que não quer sair em blocos ou camarotes, por não aderir ao sistema financeiro acima mencionado, ou na maioria esmagadora das vezes por não ter condições econômicas de “adquirir” os pacotes.
[1][1] Sem blasfêmia. Esses cordeiros não são de Cristo, mas sim, pessoas que são pagas, para afastarem outras pessoas da “área” que o bloco “tem direito”, isolando assim os demais foliões, ou seja, dentro da corda quem pagou do lado a pipoca, os despossuídos... E no meio trabalhadores se submetendo a garantir a proteção dos opressores... Dá para entender?!
[2] A política do “pão e circo” adotada pelos imperadores romanos.
| Add a comment |
Adriano Diniz
Amalia Cruz

DIEGO RIVERA (DETROIT - INDUSTRY- SOUTH) INTRODUÇ...
Dalmo Funchal
Darlan Barreto
Gislene Barreto
Lucelita Vieira
Marcelo Nascimento
Mauricio Couto
Especializada em memória para computadores, a nova...
Rafael Couto
Sandro Silva
Uendel Couto
Adriano Pereira

A Prefeitura Municipal de Campo formoso abre as...
© Taza.com.br ® Todos os Direitos Reservados - 2010-2011